quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Papel da endoscopia de via aérea superior na propedêutica clínica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia.

Ronaldo Américo
Levon Mehkitarian Neto

A propedêutica clínica da via aérea superior é fundamental para a avaliação do paciente portador de doenças da cabeça e do pescoço. Sua realização é dificultada pelas cavidades naturais do crânio, que são áreas com relevante extensão ântero-posterior e baixa penetração luminosa. Sendo assim, estas cavidades necessitam de métodos acessórios para sua adequada avaliação.

A utilização de uma fonte luminosa é essencial para uma adequada avaliação da cavidade oral, porém é insuficiente para avaliação nasal, faríngea e laríngea. O desenvolvimento do espelho laríngeo por Garcia proporcionou melhora na avaliação da orofaringe, hipofaringe e laringe, porém permaneceu com limitação de ampliação e gravação das imagens captadas.

A nasofibrolaringoscopia flexível é o método de maior eficácia para a avaliação de toda a mucosa nasal, faríngea e laríngea, sendo exceção apenas a observação da cavidade oral. Este exame é realizado com o paciente acordado. O aparelho de fibra óptica é introduzido através das cavidades nasais, excursionando em direção a rinofaringe. Observa de forma dinâmica o fechamento velofaríngeo, e proporciona uma visão superior do restante da faringe, e da laringe também em movimentação.

É um método de boa tolerabilidade por parte dos pacientes e de rápida realização. Pode ser realizado para avaliação complementar da deglutição e da voz, bem como realizar biópsias direcionadas.

Quando acoplado a uma microcâmera e a um sistema de vídeo, é possível realizar a ampliação e gravação das imagens para melhor estudo ou criação de um banco de dados. Como ponto negativo principal está o alto custo para aquisição e manutenção dos equipamentos, e como todo método de endoscopia requer adequada antissepsia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tumores Avançados de Cabeça e Pescoço – Cirurgia, ou Radioterapia, ou Quimioterapia: um Trilema de Münchhausen?

Marcos Brasilino de Carvalho

Para combater o câncer, a medicina colocou no século XX três armas nas mãos de três diferentes especialistas. A cirurgia, a arma mais antiga, continua sendo a base de quase todos os protocolos terapêuticos para o câncer de cabeça e pescoço (1). Entretanto, variam de acordo com a localização do tumor, com sua extensão e mesmo com a maior ou menor experiência do grupo médico que assiste o paciente. É consensual entre os especialistas, que o difícil não é fazer – difícil, é saber o que fazer. Para fazer, é preciso ter treinamento, mas para decidir qual é a melhor decisão é preciso ter experiência e esta, ainda que às vezes não o acompanhe, titubeia se não tiver a companhia do tempo.

Quando falamos de tumores avançados de cabeça e pescoço, dois fantasmas assombram o especialista: a mutilação e outras seqüelas do tratamento, e a possibilidade de recorrência da doença. Decidido e aplicado o plano de tratamento, se o resultado não for o controle da doença, seja por sua persistência seja pela recidiva, as opções favoráveis aproximam-se de zero. O tratamento de resgate das recidivas oferece índices de controle desapontadores diante da morbidade e da mortalidade de um re-tratamento independente se cirúrgico ou radioquimioterápico, independente se a recidiva for local, regional ou à distância (2).

Todas as opções são consideradas diante de paciente com tumor avançado. Qual a que melhor atende ao objetivo de sobrevida mais longa com menor risco de complicações e recorrência? Se as armas terapêuticas disponíveis devem ser associadas, quais serão escolhidas? Em qual seqüência? A quimioterapia deve vir antes, durante ou após a cirurgia ou radioterapia? Quais drogas e por qual via? A infusão intra-arterial superseletiva através da artéria temporal superficial tem sido reabilitada em alguns centros importantes, principalmente em esquemas concomitantes com a radioterapia (3). A cirurgia tem sofrido o assédio dos protocolos de preservação de órgãos, mas quase nunca para pacientes com tumores avançados. Nestes casos, a cirurgia recebe o auxílio multidisciplinar que inclui a radioquimioterapia adjuvante para os casos de risco elevado de recorrência, isto é, casos com margens comprometidas, múltiplos linfonodos positivos, invasão extracapsular e/ou invasão perineural. Mas também há defensores da radioquimioterapia como o tratamento inicial de eleição e a cirurgia é chamada como (co)adjuvante para resgatar os casos não respondedores ou recorrentes (4).

Para cada proposta de tratamento encontram-se defensores categóricos e convictos que deixam uma margem muito estreita para outras opções (5). Aqueles que se iniciam na prática da oncologia clínica, cirurgia de cabeça e pescoço ou radioterapia, quando se deparam com pacientes com tumores de cabeça e pescoço, são observados por seus orientadores/inquisidores atentos à possibilidade de heresia, de crime contra a fé nos pressupostos médicos que acreditam.

A soma das casuísticas e as experiências acumuladas fazem supor que as respostas estão dadas, mas pulverizadas ao longo do tempo e por todo o planeta. Isto cria um espaço privilegiado para as revisões sistemáticas que estão à espera que os centros de referência acordem e tomem a iniciativa de dar um passo à frente.

Bibliografia

1. Ang KK. Multidisciplinary management of locally advanced SCCHN: optimizing treatment outcomes. The Oncologist. 2008;13:899-910
2. Gleich LL, Ryzenman J, Glucman JL, Wilson KM, Barret W, Redmond KP. Recurrent advanced (T3 or T4) head and neck squamous cell carcinoma. Is salvage possible? Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2004;130:35-38.
3. Mitsudo K, Shigetomi T, Nishiguchi H, Yamamoto N, Fukui T, Furue H, Saito M, Ueda M, Tohnai I. daily concurrent chemotherapy with docetaxel (DOC) and cisplatin (CDDP) using superseletive intra-arterial infusion (HFT method) via superficial temporal artery for T3 and T4 head and neck cancer – possibility of organ preservation in advanced head and neck cancer. J Clin Oncol, 2008; 26:15S
4. Cohen EEW, Baru J, Huo D, Haraf DJ, Crowley M, Witt ME, Blair EA, Weichselbaum RR, Rosen F, Vokes EE, Stenson K. Efficacy and safety of treating T4 oral cavity tumors with primary chemoradiotherapy. Head Neck 2009; 31:1013-1021.
5. Bleitler JJ. Seduction by induction. J Clin Oncol 2009; 27: 9-10.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Atividades em outubro de 2009.

Durante o mês de outubro, paralelamente às reuniões protocolares assistenciais e científicas, o Departamento programou algumas atividades com caráter informativo e gerencial. O programa incluiu:

1. Revisão sobre a utilização do PET/CT em Cabeça e Pescoço com enfoque em princípios do método e papel no diagnóstico da lesão primária – apresentação do dr. Ricardo Pires de Souza;

2. Organização e Sistema com enfoque em sistemas gerenciais de competitividade das instituições e aplicação no Departamento – apresentação do dr. Odilon Victor Porto Denardin;

3. Infecções em Cabeça e Pescoço, epidemiologia, diagnóstico e opções de tratamento – apresentação do dr. Juvêncio José Dualibe Furtado;

4. Biologia Molecular em Cabeça e Pescoço, principais marcadores moleculares, utilidade e aplicação clínica – apresentação da dra. Renata Coudry;

5. Medicina Baseada em Evidências, da revisão Sistemática a Metanálise – apresentação do dr, Ricardo Pires de Souza.