terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Real impacto da metástase regional no carcinoma epidermóide do andar inferior da boca.

Abrão Rapoport

No carcinoma epidermóide da cavidade bucal, a presença de linfonodo metastático no pescoço é indicação de comportamento agressivo. De forma esquemática, a instalação da doença metastática depende da capacidade do hospedeiro de confinar a lesão primária, das características primárias e de invasão da neoplasia e da adaptação da célula metastática no tecido alvo.

O objetivo final do tratamento do carcinoma espinocelular da boca é o controle da neoplasia e de sua disseminação regional, levando o paciente a uma maior sobrevida livre de doença. Para que isto ocorra, há que se propiciar maior radicalidade e um campo cirúrgico onde a extensão do mesmo atenda às necessidades oncológicas desta neoplasia maligna. Para tanto, há que se considerar o padrão de metastatização nos pacientes submetidos aos diferentes tipos de esvaziamentos cervicais (radicais, modificados ou eletivos) para o carcinoma epidermóide da boca onde os níveis preferenciais são: nível I (submento e submandibular), nível II (jugular superior), nível III (jugular médio), sendo que os níveis IV (jugular baixo) e V (espinais) são envolvidos em apenas 3% dos pacientes N0 (ausência de linfonodos clínicos metastáticos). Ao fim desta consideração, há que se definirem marcadores anatômicos para estes níveis de disseminação, tais como:

I - acima do hióide.
II - abaixo do ventre posterior do digástrico
III - abaixo da bifurcação da artéria tireoidiana superior
IV - nível da artéria tireoideana superior
V - bordo posterior do músculo esternocleidomastoideo e espinal

Considerando referências anatômicas e dos níveis preferenciais de acometimento dos linfonodos metastáticos, o esvaziamento radical clássico de Crile ficou restrito às neoplasias com envolvimento de todos os níveis, sendo progressivamente substituído pelo esvaziamento modificado. Vale considerar que os métodos por imagem (ultra-sonografia com agulha fina, tomografia computadorizada, ressonância magnética e mais recentemente o PET-CT) podem eventualmente subsidiar a propedêutica palpatória, sugerindo diferentes modalidades do esvaziamento.

A partir destas considerações, algumas citações rebatendo estudos comparativos em pacientes T1 N0 M0, revelam taxas de recidiva iguais nos esvaziados e não esvaziados, ocorrendo diferenças significativas no pacientes T2, T3, T4 N0 M0. Nestes pacientes, apesar da sobrevida global ser igual, a sobrevida livre de doença é maior nos pacientes que foram tratados cirurgicamente através dos diferentes esvaziamentos cervicais, o que nos leva a considerar um eventual estadiamento biológico.

Quanto ao tratamento do câncer de boca para os casos N0, vários autores concluem que os diferentes tipos de esvaziamentos são equivalentes na avaliação das recidivas fora do campo cirúrgico, e que a quimioterapia e a radioterapia pós-operatória não modificam a sobrevida livre de doença. Isto permite afirmar que, apesar dos avanços na seleção de agentes quimioterápicos com sucesso inconteste em algumas áreas, no carcinoma epidermóide avançado de boca, isto não ocorre.

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