Sérgio Altino Franzi
A incidência do câncer acompanha o envelhecimento populacional. A magnitude dessa doença é consequência das mudanças globais que alteraram a situação das pessoas, quer pela urbanização e industrialização acelerada, quer pelo novo modo de vida e consumo.
O SUS registrou 423 mil internações por neoplasias malignas e 1,6 milhão de consultas ambulatoriais em oncologia no ano de 2005. Neste período foram tratados, mensalmente, 128 mil pacientes em quimioterapia e 98 mil em radioterapia ambulatorial, sendo que nesses últimos cinco anos, ocorreu um aumento expressivo no número de pacientes com câncer, atendidos pelas Unidades de Alta Complexidade do SUS, para a utilização de medicação de Alto Custo e tratamento de segunda e terceira linha. Em 2004, a mortalidade por câncer representou 13,7% de todos os óbitos no Brasil, ficando atrás das doenças do aparelho circulatório (27,9%). Em 2006, foram registrados em nosso País, 13470 (8%) casos novos de câncer de cavidade oral.
No tocante ao tratamento convencional de pacientes portadores de neoplasia de cabeça e pescoço com cirurgia e radioterapia, as taxas de sobrevida ainda permanecem insatisfatórias. Os motivos estão relacionados à falha no controle loco-regional, recidiva sistêmica e segundo tumor, nos quais o procedimento cirúrgico ou mesmo a radioterapia, poderiam causar profundas alterações funcionais, psicológicas e estéticas. Esta situação faz com que o paciente, uma vez orientado e informado, possa querer um tratamento menos convencional no controle da doença.
Num momento em que as alternativas não estiverem limitadas a resolução cirúrgica, o diferencial de sucesso dependerá da inclusão ou associação de quimioimunoradioterapia, por parte do cirurgião de cabeça e pescoço. Esta decisão terapêutica deverá ser pautada pela experiência e pela atuação clínica oncológica desse especialista. A compreensão das características clínicas oncológicas, nas neoplasias da cabeça e pescoço, inclui renovação, mudanças e associações terapêuticas com a intenção de melhorar a qualidade de vida e aumentar o controle loco-regional e a distância. O tempo dirá se as decisões foram acertadas, pois, como já disse Leonardo da Vinci “a verdade é sempre confirmada pelo tempo”,
Mas como garantir as condições adequadas para a formação cirúrgica e clínica, em oncologia, dos especialistas em cabeça e pescoço? A nossa intenção é ampliar a discussão sobre a formação do oncologista na especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço tendo com modelo o pré-requisito em cirurgia geral (dois anos), programa de bases da oncologia (um ano), atividades assistenciais, pesquisa e produção de trabalhos científicos, com duração de dois anos. No meu ponto de vista, devem ser incluídos, rodízios pelos serviços de oncologia clínica (quimioterapia), radioterapia, biologia molecular em cabeça e pescoço. O crescente interesse do cirurgião de cabeça e pescoço no campo da biologia molecular dos tumores, junto com sua natural inclinação ao trabalho assistencial, pode combinar-se e manifestar-se em novos enfoques de trabalho científico e pesquisa.
Cabe aqui uma paródia à citação do Times, de 18 de maio de 2007. Posso escrever, em relação ao paciente portador de câncer avançado de cabeça e pescoço sem indicação cirúrgica ou radioterápica, que o preparo do especialista esbarra num trilema: (1) a honestidade do especialista e participação junto ao paciente não lhe parecerá brilhante; (2) especialistas brilhantes e participativos, a este paciente, não lhe parecerá honesto; (3) e se este colega cirurgião de cabeça e pescoço honesto e considerado brilhante, a este paciente, não lhe parecerá participativo.
Pode-se afirmar que este novo século reserva, para a oncologia de cabeça e pescoço, uma mudança de paradigma em relação à formação dos especialistas. A demanda, o atendimento de um número cada vez maior de pacientes - dois casos novos por ano para cada 1000 habitantes (INCA 2006) - e a renovação em relação à possibilidade de tratamentos, métodos, técnicas reconstrutoras, equipe multidisciplinar, qualidade de vida e a “trilogia” quimio/imunoterapia, radioterapia e cirurgia implicam um novo modelo de desempenho das atividades dos cirurgiões de cabeça e pescoço. E o nosso compromisso atual é o de oferecermos aos jovens médicos o conhecimento essencial do câncer de cabeça e pescoço para que a especialidade não seja temida ou considerada difícil, com a idéia de que podemos ajudar o paciente com trabalho honesto, participativo do começo ao fim e se possível brilhante nas decisões que somente o tempo e os modelos nos ensinam.
A incidência do câncer acompanha o envelhecimento populacional. A magnitude dessa doença é consequência das mudanças globais que alteraram a situação das pessoas, quer pela urbanização e industrialização acelerada, quer pelo novo modo de vida e consumo.
O SUS registrou 423 mil internações por neoplasias malignas e 1,6 milhão de consultas ambulatoriais em oncologia no ano de 2005. Neste período foram tratados, mensalmente, 128 mil pacientes em quimioterapia e 98 mil em radioterapia ambulatorial, sendo que nesses últimos cinco anos, ocorreu um aumento expressivo no número de pacientes com câncer, atendidos pelas Unidades de Alta Complexidade do SUS, para a utilização de medicação de Alto Custo e tratamento de segunda e terceira linha. Em 2004, a mortalidade por câncer representou 13,7% de todos os óbitos no Brasil, ficando atrás das doenças do aparelho circulatório (27,9%). Em 2006, foram registrados em nosso País, 13470 (8%) casos novos de câncer de cavidade oral.
No tocante ao tratamento convencional de pacientes portadores de neoplasia de cabeça e pescoço com cirurgia e radioterapia, as taxas de sobrevida ainda permanecem insatisfatórias. Os motivos estão relacionados à falha no controle loco-regional, recidiva sistêmica e segundo tumor, nos quais o procedimento cirúrgico ou mesmo a radioterapia, poderiam causar profundas alterações funcionais, psicológicas e estéticas. Esta situação faz com que o paciente, uma vez orientado e informado, possa querer um tratamento menos convencional no controle da doença.
Num momento em que as alternativas não estiverem limitadas a resolução cirúrgica, o diferencial de sucesso dependerá da inclusão ou associação de quimioimunoradioterapia, por parte do cirurgião de cabeça e pescoço. Esta decisão terapêutica deverá ser pautada pela experiência e pela atuação clínica oncológica desse especialista. A compreensão das características clínicas oncológicas, nas neoplasias da cabeça e pescoço, inclui renovação, mudanças e associações terapêuticas com a intenção de melhorar a qualidade de vida e aumentar o controle loco-regional e a distância. O tempo dirá se as decisões foram acertadas, pois, como já disse Leonardo da Vinci “a verdade é sempre confirmada pelo tempo”,
Mas como garantir as condições adequadas para a formação cirúrgica e clínica, em oncologia, dos especialistas em cabeça e pescoço? A nossa intenção é ampliar a discussão sobre a formação do oncologista na especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço tendo com modelo o pré-requisito em cirurgia geral (dois anos), programa de bases da oncologia (um ano), atividades assistenciais, pesquisa e produção de trabalhos científicos, com duração de dois anos. No meu ponto de vista, devem ser incluídos, rodízios pelos serviços de oncologia clínica (quimioterapia), radioterapia, biologia molecular em cabeça e pescoço. O crescente interesse do cirurgião de cabeça e pescoço no campo da biologia molecular dos tumores, junto com sua natural inclinação ao trabalho assistencial, pode combinar-se e manifestar-se em novos enfoques de trabalho científico e pesquisa.
Cabe aqui uma paródia à citação do Times, de 18 de maio de 2007. Posso escrever, em relação ao paciente portador de câncer avançado de cabeça e pescoço sem indicação cirúrgica ou radioterápica, que o preparo do especialista esbarra num trilema: (1) a honestidade do especialista e participação junto ao paciente não lhe parecerá brilhante; (2) especialistas brilhantes e participativos, a este paciente, não lhe parecerá honesto; (3) e se este colega cirurgião de cabeça e pescoço honesto e considerado brilhante, a este paciente, não lhe parecerá participativo.
Pode-se afirmar que este novo século reserva, para a oncologia de cabeça e pescoço, uma mudança de paradigma em relação à formação dos especialistas. A demanda, o atendimento de um número cada vez maior de pacientes - dois casos novos por ano para cada 1000 habitantes (INCA 2006) - e a renovação em relação à possibilidade de tratamentos, métodos, técnicas reconstrutoras, equipe multidisciplinar, qualidade de vida e a “trilogia” quimio/imunoterapia, radioterapia e cirurgia implicam um novo modelo de desempenho das atividades dos cirurgiões de cabeça e pescoço. E o nosso compromisso atual é o de oferecermos aos jovens médicos o conhecimento essencial do câncer de cabeça e pescoço para que a especialidade não seja temida ou considerada difícil, com a idéia de que podemos ajudar o paciente com trabalho honesto, participativo do começo ao fim e se possível brilhante nas decisões que somente o tempo e os modelos nos ensinam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário